Sobre

Observando o disposto no Art.º 22º, alínea 3, da Lei da Liberdade Religiosa, Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho, no qual é disposto que:

As igrejas e demais comunidades religiosas inscritas podem com autonomia fundar ou reconhecer igrejas ou comunidades religiosas de âmbito regional ou local, institutos de vida consagrada e outros institutos, com a natureza de associações ou de fundações, para o exercício ou para a manutenção das suas funções religiosas.

A Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá (CPCY), pessoa coletiva religiosa, reconhecendo a importância da investigação e produção intelectual e científica na compreensão histórica e antropológica dos nossos costumes e tradições, decidiu criar o INSTITUTO IṢẸ̀ṢẸ PARA A ESTUDO DOS CULTOS ÒRÌṢÀ E VODUN.

Sobre

O INSTITUTO IṢẸ̀ṢẸ PARA A ESTUDO DOS CULTOS ÒRÌṢÀ E VODUN é um projeto científico sem fins lucrativos que visa promover e difundir iniciativas de natureza científica, em particular teológicas, mas também antropológicas, históricas, etnomusicólogas, e afins ciências sociais, sobre as culturas religiosas africanas Òrìṣà e Vodun e suas variações diaspóricas. O Instituto Ixexé (II), em grafia portuguesa, é criado a partir da presente data, num cruzamento entre a Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira e à Comunidade Portuguesa do Candomblé Yorùbá, no sentido de produzir conhecimento teórico acessível ao público em geral.
Como parte da ação do Instituto, estará a revitalização da revista Igba Abidi, que será uma publicação focada nas temáticas religiosas Orixá e Vodun, com forte destaque teológico-filosófico, questões de maior dificuldade de publicação em revistas científicas (journals) atuais.
O II dispõe-se a trabalhar com Universidades, Centro de Investigação (CI), e instituições de ensino público, privado e organismos culturais, no sentido de promoção do conhecimento destas culturas religiosas. A pertença ao II está reservada a pesquisadores destas temáticas religiosas, a partir da graduação.

Sobre o termo Ixéxé e o Logótipo

O termo Iṣẹ̀ṣẹ, de língua yorùbá, corresponde a uma forma de designação clássica e nativa para o que designamos por religião. Em rigor, sabemos que o termo religião tem a sua matriz linguística e cultural judaico-cristã, remetendo, originalmente, para a procura de recuperar uma ligação original perdida, simbolizada no Jardim do Éden. A utilização desse termo, em matéria científica, tem uma operatividade limitada, sendo devidamente problemática e problematizada.
Mesmo na língua yorùbá corrente, o termo utilizado para designar religião èsin, derivado de sin, querendo dizer “servir”, aproximando-se do imaginário cristão do “serviço religioso”, quer como liturgia quer como missão. Considera-se que tal conceito é inapropriado para entender as dinâmicas religiosas africanas. Por essa razão, o presente Instituto de estudos optou por utilizar como designação Ixéxé, um termo que significa “origens”, reconhecendo que no caráter cíclico do tempo, tal como ele é concebido nestas culturas religiosas, a busca pela reatualização do tempo original, dos ancestrais e seres extra-humanos (divindades) é parte determinante da experiência de vida e daquilo que chamamos, à falta de termo melhor, para fins de tradução, por «religião».
Continuando a operar num quadro de referência autóctone, foi selecionado para logótipo do II, dois “i” conjugados, formando, simultaneamente, uma cabaça, objeto que na cultura Yorùbá representa o mundo, o ventre feminino da vida, a cabaça da existência e do conhecimento, igbadu, e duas cobras, símbolo primordial dos cultos Vodun do Dahomé, o atual Benim.

A direção

Benavente, 15 de Dezembro de 2018

Ishéshé Institute for the study of Orisha and Vodun cults

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